Um dos maiores problemas modernos enfrentados atualmente são os distúrbios alimentares, principalmente entre o grupo mais influenciável e preocupado com a opinião de quem está ao redor, nós, adolescentes. A sociedade em que vivemos é um dos mais importantes fatores para que o número de jovens com essas doenças venha crescendo. Cada propaganda, outdoor ou capa de revista estimula uma imagem de que ser rico, lindo e magro é um sinônimo de felicidade e de que estando dentro desse modelo seremos aceitos por todos.
Os distúrbios alimentares estão ligados a alterações emocionais e de comportamento. Com o bombardeio de padrões estéticos a serem seguidos, acreditamos que precisamos alcançar essa meta a qualquer custo. Dietas malucas, jornadas exautivas de exercícios, contagem de calorias, jejuns eternos são alguns dos métodos nada ortodoxos utilizados para a perda rápida de peso. Se isso não ocorre, internamente começamos a enlouquecer e a acreditar que devemos levar mais ao extremo. É nesse ponto que o primeiro sinal das doenças geralmente aparece: a dismorfia, ou alteração na percepção corporal. As adolescentes (esse mal é muito mais comum entre as mulheres que os homens) que acabam se tornando anoréxicas ou bulímicas não se vêem do jeito que são. Sempre acreditam que estão muito mais gordas do que na verdade estão e nunca estão satisfeitas com sua imagem. A partir daí, começam a se dividir em duas doenças:
Bulimia - ocorre entre 2 a 4% das mulheres adolescentes e é uma síndrome caracterizada por consumir grande quantidade de alimentos e de preferência, hipercalóricos. Para controlar o peso, se auto-induz o vômito, abusa de laxantes ou passa por períodos longos de inanição.
Anorexia - acomete 1% das adolescentes e se caracteriza pela recusa em manter o peso na proporção normal, medo intenso de engordar, mesmo estando abaixo do comum e auto-avaliação alterada do peso e forma do corpo.
A avaliação do comportamento dos doentes é muito difícil já que muito dos sintomas, ou comportamento de risco é característico e esperado do período que vivemos. Por isso, seu diagnóstico é muitas vezes tardio, chegando a casos em que a jovem está muito abaixo do peso e com vários problemas de saúde. Anemia, osteoporose, ausência de menstruação (impotência para os homens), problemas de estômago, fígado e rins, lesões no esófago, descalcificação dos dentes, cáries dentárias, pele seca e pálida e queda de cabelo são algumas das consequências desses distúrbios. Infelizmente, o índice de mortalidade aumenta muito entre as pessoas com essas doenças. 10% das anoréxicas morrem em consequência da doença e o índice de mortalidade cresce 9 vezes entre as bulímicas.
As disfunções alimentares são de difícil tratamento, pois a negação de que está doente pelo paciente é muito comum. A principal atitude a ser tomada é ter acompanhamento psicológico, por serem resultado de problemas nessa área. Deve-se também contar com a ajuda de médicos e nutricionistas que formulam uma dieta rica em nutrientes que lentamente aumenta a quantidade de calorias ingeridas até atingir uma alimentação saudável e normal. Em alguns casos, a utilização de medicamentos é necessária. O apoio da família, ou seja, uma base estruturada com pessoas que respeitam e entendem o que está ocorrendo é considerado imprescindível para o sucesso. Na anorexia, 40% das pessoas que procuram tratamento se recuperam, 30% melhoram, 20% permancem afetados e 10% falecem. Entre as bulímicas, o prognóstico é menos favorável. 44% não obtiveram nenhuma melhora e dos 56% que se recuperaram, 50% teve recaída até 78 semanas depois. O que se pode garantir é que quanto mais cedo for o diagnóstico e a intervenção, melhor e maior será a chance de se ver livre dos distúrbios.
Cuidar da aparência é uma das maiores preocupações das jovens adolescentes, mas levá-la ao extremo é um erro que se mostra fatal. Seguir uma dieta balanceada e praticar exercícios é a melhor e mais segura maneira para se atingir o “corpo perfeito” (que já sabemos que não existe, não é mesmo?). O mais importante é se sentir bem e feliz com o corpo e com o que você é, por mais difícil que isso possa parecer. Estar no meio de uma sociedade que impõe uma imagem perfeita e inatingível do belo pode muitas vezes nos deixar para baixo, nos sentido o mais horrível ser humano do planeta, mas ter personalidade e não seguir o caminho que aparenta ser mais fácil (mas que tem as piores consequências para nossa saúde) é a saída correta. Aceitar nossos defeitos, melhorá-los na medida do possível e do que for saudável e gostar de nós como somos é o verdadeiro sinônimo da felicidade.
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Dica: O que é comportamento de risco?
A insatisfação com o peso e corpo, a constante preocupação com as calorias de determinados alimentos, fazer dietas malucas e sem orientação médica mesmo quando o peso é proporcional, crítica constante a alguma parte do corpo, insatisfação mesmo ao perder peso e diminuição gradativa das atividades socias são exemplos de comportamento que pode significar um distúrbio alimentar. Atenção! Pode significar, não significa, pois todas essas características também fazem parte da “síndrome da adolescência normal” que todos nós passamos em algum momento da vida.
Por Thaís Araújo
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